Coincidências – Nasce “CONCHINHAS”

Conheço uma pessoa que acha que tudo o que acontece é coincidência. Se alguém sugere algo, “coincidentemente” ele já teve aquela mesma ideia (antes, é claro!). Se alguém liga para ele, coincidentemente ele pensou naquela pessoa alguns dias atrás. Suas narrativas e alegações são cheias de “coincidências”. Eu sempre me irritei com isso. Mas sabe que parece que coincidência existe mesmo?

Chegando perto dos 50 anos, estou considerando outras atividades, mudar de ares, mudar de mundo. Em tempos de aconselhamentos e terapia, ao comentar minha desesperada intenção, contei sobre meu namoro com a escrita. Tenho em meu “currículo literário”, desde tenra idade, alguns prêmios em concursos de redação e artigos e nas poucas vezes em que me aventurei a escrever um ou dois textos que muito pretensiosamente chamei de crônicas, ganhei efusivos elogios de minha curtíssima e suspeita lista de leitores, formada por parentes e amigos muito próximos.

Recebi então um conselho para iniciar a almejada guinada na vida: comece a escrever (“por coincidência”, li hoje uma frase atribuída a Walt Disney: O jeito de começar é parar de falar e começar a fazer).

OK. Escrever. O quê?

Romance eu gosto mesmo é de ler. Ken Follet me arrebata. Livros-reportagem, biografias e relatos de casos reais ganham totalmente minha atenção. Não, prefiro ler a escrever romances (pelo menos neste momento).

Poesia não é minha praia. Perdão aos que a admiram, mas eu nunca soube ler poesia. Gosto mesmo é de histórias, de “causos”, de narrativas, personagens, intrigas, suspense, reviravoltas. Sou, ainda, mais leitora do que escritora. Mas gosto de escrever. Então… vamos lá. Escrever. O quê?

Foi então que a coincidência, que tanto me irrita, apareceu para me calar a boca (e a irritação).

Buscando títulos no pacote mensal que pago para ler e-books no meu “dispositivo de leitura”, deparei-me com Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves. Interessei-me pelo título e, antes de atentar-me para quem o escrevera, imaginei que fosse algum tema de gestão.

Embora eu não seja uma gestora, em meu atual momento de insatisfação profissional poderia ser uma leitura que me “trouxesse alguma luz”. A julgar pelo título, eu poderia vir a produzir alguma pérola (a joia, não a expressão jocosa).

O livro de Rubem é uma reunião de crônicas, algumas com menos de 10 linhas. Em uma delas ele explica: “O problema com os aprendizes é que eles pensam que literatura se faz com coisas importantes. O que torna a conchinha importante não é o seu tamanho, mas o fato de que alguém a cata da areia e a mostra para quem não a viu: ‘Veja…´. Literatura é mostrar conchinhas”.

Que coincidência, no exato momento em que resolvo dedicar-me à escrita, cair-me nas mãos um livro cujo estilo é exatamente a inspiração do que seguir neste meu novo caminho das letras. Cheia de presunção, quero escrever como Rubem Alves, quero oferecer conchinhas.

Confesso: empáfia nota dez, originalidade zero.

Outra confissão: coincidência existe.

Não sou, ainda, uma “escritora de livros”. Mas sou uma contadora de histórias, de “causos”, e sou cheia de opiniões. A ideia, já confessada, não é original, mas as histórias eu garanto que são. Coisas que vi, coisas que vivi, coisas que conheci, coisas que imaginei e coisas que criei.

Com a cabeça e a vida cheia de histórias, para esse novo projeto, “por coincidência”, é só colocá-las “no papel”, na tela do computador, do celular, do tablet, dos dispositivos de leitura e tecnologia ainda por vir.

Espero que seja uma feliz coincidência. E que seja uma praia cheia de conchinhas.

*Quando o Blog foi criado, tinha o nome de CONCHINHAS, mas posteriormente foi alterado para ALHOS E BUGALHOS

4 comentários em “Coincidências – Nasce “CONCHINHAS”

  1. Oi, Marilia, por coincidência encontrei este seu post compartilhado pela Angela. Não sabia que você gostava tanto assim de escrever, o que me deixou positivamente surpreso. Venha dar uma olhada na Entre Contos, onde há muita gente como você, como nós, aperfeiçoando a escrita e descobrindo novos horizontes nessa atividade maravilhosa — e o melhor, com muito feedback. Te mandei um convite pelo FB, se de repente interessar. Só cuidado, porque quem entra nãpo consegue mais sair haha
    Um grande abraço e… parabéns pelo texto e pelo seu aniversário.
    Gustavo.
    https://entrecontos.com

    Curtido por 1 pessoa

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