40

Uma de minhas melhores amigas, quando estava há poucos meses de completar 40 anos, pirou. “Não quero festa, não quero ver ninguém”. “Mas por quê?”, perguntei sem compreender absolutamente nada. “Porque vou fazer 40 anos”, tentou ela a título de explicação. “Descasquei” a coitada. Aquilo não fazia sentido nenhum. NENHUM. Qual era a diferença? 38, 41,… Qual o problema com o 40? “É só um número, pare de frescura”, eu alegava do alto de minha sabedoria e racionalidade.

Passados 7 meses, chegou a minha vez de completar 40 anos de idade. Surtei. Pirei. “Por quê?”, você pode me perguntar. “Porque eu completaria 40, é óbvio”. “Mas não é só um número?”, você jogaria na minha cara.

Já ouvi dizer que as mulheres piram nos 40 e os homens no 50. Mas… por quê? Não seria, realmente, só um número? Não sei se isso já aconteceu ou acontecerá com você, mas comigo aconteceu sim. “Deprimi” ao completar 40 anos.

Outro dia li uma reportagem publicada na Revista Veja em março de 2010 que informava que uma pesquisa realizada pela Universidade de Kent, na Grã-Bretanha, concluiu que “A juventude termina aos 35 e a terceira idade começa aos 58 anos”. Vixi… pirei com 5 anos de atraso. Eu já estava “velha” há 5 anos e nem sabia.

Entrar na casa dos quarenta (para nunca mais, na vida, sair dos “enta”, a menos que eu atinja um indesejado centenário) significou para mim ser “oficialmente velha”, e eu tive um sentimento de game over, de That´s all folks. Motivo? Nenhum. Fundamento? Zero. Pelo menos nenhum que fosse racional.

Com o avanço da Medicina (OK, sei que isso é “papo batido”, mas é isso mesmo) e da indústria cosmética, “ficar velho aos 40” não é mais tão “grave”, não é mais uma sentença de ostracismo social para cuidar de netos e fazer tricô. É só folhear revistas femininas para ver quantos mulherões de 40 “dão de 10” em menininhas de 20.

Desperate Housewives foi um seriado norte-americano que contava a história de 5 amigas suburbanas, “coroas” de dar inveja, lindas, sensuais, tudo de bom. Até o mercado publicitário soube explorar as “super coroas”. Lembram da propaganda das Havaianas de 1996 em que o filho da atriz Letícia Spiller reclamava das manias de “velha” da mãe e terminava dizendo “tem que parar de falar essas coisas, parece uma velhinha gagá” e na cena seguinte lá vem ela saindo do mar, biquininho exibindo corpão?

Ééééé…. não se fazem mais quarentonas como antigamente. E olhando para as quarentonas que andam por aí, até que é bem legal ter quarenta. Independência financeira, cérebro ativo, tomar as próprias decisões (e arcar com as consequências). Surtei à toa.

Mas aquela vontade de passar o aniversário sozinha, sem ver ninguém e curtir a fossa dos 40 na companhia da solidão foi realmente concretizada. Não porque eu não tivesse amigos ou familiares dispostos a comemorar (e zoar) a nova idade, mas uma conjuntivite altamente contagiosa deixou-me de quarentena em plenos 40 (claro que é exagero, mas aqui vale o trocadilho).

Daqui a 3 anos eu conto como será a crise dos 50.

Um comentário em “40

  1. E quando foi a minha vez, fiquei esperando a minha crise, mas ela não veio, passei normalmente pelos 40 e fiquei aliviada. Acho que fiquei tão ansiosa para ver se teria a tal crise dos 40 que nem percebi. Só deixei de viver aos 41.

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