DONA DA ALDEIA

Em uma palestra proferida por um americano, ele perguntou à plateia qual era a imagem que tínhamos dos Estados Unidos. E justificou a pergunta: “hoje liguei a TV e em vários canais, quase o dia todo, estava passando Law and Order. Vocês devem achar que por lá só existe polícia e bandido”.

Aquilo me fez pensar de onde vêm as distorcidas ideias que os estrangeiros têm do Brasil. De onde tiram “as ideias” que formam de nosso país?

Em 2007 estive em Londres. Para variar perdida, apesar do ilegível (para mim) mapa em mãos, parei para pedir informações. Com um inglês obviamente precário e carregado de sotaque, despertei a curiosidade de quem escolhi para me socorrer. “Where are you from?” “Brazil”, respondi, e a pergunta seguinte foi se eu sabia sambar. Eu deveria ter respondido “Curitiba”. Ele JAMAIS me perguntaria se eu sei sambar (algum curitibano sabe?).

O irmão de uma amiga minha, viciado em Coca Cola, em sua primeira visita aos Estados Unidos era presença constante na máquina de refrigerantes do hotel. A recepcionista, intrigada com a quantidade de latas já consumidas, não se aguentou e perguntou: “no Brasil não tem Coca Cola?”. Indignado, ele respondeu: “até tem, mas dá muito trabalho descer das árvores para pegar”.

Um colega de faculdade, narrando sua experiência como intercambista, contou que quando ele desembarcou no aeroporto de Madri, a família que o esperava recepcionou-o com uma sacola de roupas (teriam imaginado uma criatura descendo do avião de tanga e tacape?) e ao chegarem na residência apresentaram ao tupiniquim rapaz as maravilhas da modernidade: micro-ondas, geladeira, fogão…. “Eu tenho tudo isso em casa”, explicou o rapaz aos boquiabertos (e incrédulos) anfitriões.

Em 2010 participei de um evento internacional em São Paulo, onde conheci um editor de uma revista especializada em Londres, que após alguns dias de evento e muita conversa convidou-me a escrever uma coluna em sua publicação. Entreguei a ele meu cartão, com meus dados (Marilia Pioli) e o endereço do escritório (Rua Carlos Pioli). Após alguns minutos “encarando o cartão”, apontando para o endereço, ele perguntou: “você é a dona da aldeia onde trabalha”?

Atualmente, com essa loucura que a pandemia e o pandemônio da COVID-19 provocou no mundo, “apimentada” com as “jabuticabas políticas” que aparentemente só nós somos capazes de produzir, tenho até medo de imaginar. O que pensarão de nós?

Um comentário em “DONA DA ALDEIA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: